Tabela atualizada com valores de aula de inglês em 2026 por experiência, modalidade e nicho. Aprenda a precificar sem se desvalorizar e a montar pacotes que retêm alunos.
equipe goodclass
Publicado em 11 de maio de 2026
Você abriu o Google pra descobrir quanto cobrar pela sua aula de inglês e encontrou respostas que vão de R$ 20 a R$ 300. Parabéns: agora você sabe tanto quanto antes.
O problema da maioria dos conteúdos sobre precificação de aula particular é que eles tratam preço como dado isolado. Jogam uma faixa genérica, dizem "depende da sua experiência" e desejam boa sorte. Mas preço não é número solto: é consequência direta do seu posicionamento, do tipo de aluno que você atrai e da estrutura da sua operação.
Este artigo entrega o que você realmente precisa: uma tabela de referência atualizada para 2026, os fatores que justificam cobrar mais (ou menos), e um método prático pra calcular o preço que faz sentido pra você, não pra uma média genérica de mercado.
Se você ainda está montando sua operação como professor independente, vale ler primeiro o nosso guia completo sobre como ser professor de inglês independente. Lá cobrimos os 5 pilares (posicionamento, precificação, aquisição, operação e retenção). Aqui vamos fundo no pilar 2.
O mercado de aulas particulares de inglês no Brasil amadureceu nos últimos anos. A combinação de mais professores independentes, plataformas de conexão entre aluno e professor, e ferramentas de IA criou três camadas claras de precificação:
Camada 1: commodity. Aulas genéricas, sem diferenciação, concorrendo com apps e IA. Faixa de R$ 30 a R$ 60 por hora. É o espaço mais difícil de sobreviver porque o aluno compara você com o Duolingo e qualquer outro professor barato da internet.
Camada 2: profissional. Aulas personalizadas, com método claro, público definido e alguma estrutura de operação. Faixa de R$ 80 a R$ 180 por hora. Aqui está o grosso dos professores que conseguem viver bem da profissão.
Camada 3: premium. Aulas especializadas para públicos de alta exigência: executivos, médicos, advogados, profissionais de tech em empresas internacionais, preparação para exames de proficiência. Faixa de R$ 180 a R$ 300+ por hora. Exige posicionamento forte, portfólio consolidado e resultados demonstráveis.
A boa notícia: a maioria dos professores está presa na camada 1 sem perceber, simplesmente porque nunca estruturou o que fazem como serviço profissional. O salto da camada 1 para a camada 2 raramente depende de mais experiência ou mais certificados. Depende de como você se posiciona e como apresenta o que faz.
| Experiência | Inglês geral | Conversação / fluência | Business English | Prep. para exames (IELTS, TOEFL, Cambridge) |
|---|---|---|---|---|
| Iniciante (0–2 anos) | R$ 60 – 90 | R$ 70 – 95 | R$ 80 – 110 | R$ 90 – 120 |
| Intermediário (2–5 anos) | R$ 95 – 140 | R$ 100 – 150 | R$ 120 – 170 | R$ 130 – 180 |
| Sênior (5+ anos, certificações, portfólio) | R$ 150 – 200 | R$ 150 – 220 | R$ 180 – 280 | R$ 200 – 300+ |
| Experiência | Inglês geral | Business English / Executivo |
|---|---|---|
| Iniciante (0–2 anos) | R$ 80 – 120 | R$ 100 – 140 |
| Intermediário (2–5 anos) | R$ 120 – 170 | R$ 150 – 210 |
| Sênior (5+ anos) | R$ 180 – 250 | R$ 220 – 350+ |
Aulas presenciais incluem custo de deslocamento, que pode adicionar R$ 15 a R$ 40 por aula dependendo da cidade e distância.
| Experiência | Valor por aluno/hora |
|---|---|
| Iniciante | R$ 40 – 60 |
| Intermediário | R$ 55 – 85 |
| Sênior | R$ 80 – 120 |
Aula em grupo rende mais por hora total (3 alunos × R$ 60 = R$ 180/h), mas exige mais preparo e gestão. É uma boa estratégia de escala, não de entrada.
A tabela acima é referência, não sentença. Seu preço final depende de fatores concretos que puxam o valor pra cima ou pra baixo. Entender esses fatores é o que separa quem precifica com intenção de quem copia preço de concorrente.
Especialização em nicho. Professor de "inglês para profissionais de tech que precisam participar de daily meetings e sprint reviews" cobra mais do que "professor de inglês". Sempre. O aluno paga pela proximidade do conteúdo com a realidade dele, não por horas genéricas de estudo.
Certificações relevantes. CELTA, DELTA, TESOL, certificações Cambridge funcionam como prova social e justificam preço mais alto, especialmente para alunos corporativos e de preparação para exames. Um professor com CELTA pode justificar de 20% a 40% a mais do que a faixa base para sua experiência.
Vivência internacional. Intercâmbio ou período morando em país anglófono agrega valor percebido. Não é obrigatório, mas é diferencial concreto para alunos que querem pronúncia natural e contexto cultural.
Resultados demonstráveis. Aluno que passou no IELTS com nota 7.5, executivo que foi promovido após melhorar o inglês, adolescente que passou no vestibular. Depoimentos e resultados concretos permitem cobrar premium porque o aluno está comprando resultado, não hora.
Material próprio e metodologia estruturada. Quando o aluno percebe que você tem um método organizado — sequência de conteúdo clara, material complementar, métricas de progresso — ele entende que está contratando um sistema, não só uma pessoa. Sistema vale mais.
Falta de posicionamento. Se o aluno não entende em 10 segundos por que você é diferente, ele compara por preço. E sempre tem alguém mais barato.
Aula avulsa sem pacote. Cobrar por aula avulsa pressiona o preço pra baixo porque o aluno sente cada pagamento como decisão isolada. Pacotes mensais diluem a percepção de custo e aumentam a retenção.
Região com custo de vida menor. É real: professor no interior de Minas não cobra o mesmo que professor em São Paulo. Mas cuidado pra não usar isso como desculpa. Com aulas online, seu mercado é o Brasil inteiro (ou o mundo).
Início de carreira sem portfólio. Normal. Todo mundo começa. A solução não é cobrar mixaria: é começar na faixa mais baixa da tabela e subir rápido conforme acumula alunos e resultados.
Tabela de referência é útil, mas o número que importa é o seu. Aqui vai um método em 4 passos pra chegar nele.
Quanto você precisa (ou quer) ganhar por mês com aulas? Seja honesto. Inclua custos pessoais, impostos (MEI ou Simples Nacional), reserva de emergência e investimento em formação.
Exemplo: você quer tirar R$ 6.000 líquidos por mês. Como MEI, soma o DAS mensal (cerca de R$ 85). Meta bruta de R$ 6.500/mês.
Atenção: hora de aula não é sua única hora de trabalho. Pra cada hora de aula, calcule 20 a 30 minutos de preparo, follow-up e administração. Se você dá 20 horas de aula por semana, trabalha na prática 25 a 27 horas.
Exemplo: 20 horas de aula por semana, 4 semanas por mês = 80 aulas por mês.
R$ 6.500 ÷ 80 aulas = R$ 81,25 por aula como valor mínimo para bater a meta.
Se R$ 81 está abaixo da faixa para seu perfil na tabela, ótimo: significa que você tem margem. Se está acima, você tem duas opções: reduzir custos pessoais ou subir o posicionamento pra justificar o preço.
Regra de ouro: nunca cobre abaixo do mínimo do passo 3. Esse é o piso da sua operação. Abaixo dele, você está pagando pra trabalhar.
Aula avulsa é veneno pra quem quer construir renda previsível. Cada semana o aluno decide de novo se "vale a pena" e qualquer desculpa vira cancelamento. Pacote mensal inverte essa lógica: o aluno paga no início do mês, tem compromisso financeiro, e comparece.
Pacote básico: 4 aulas/mês (1 por semana). Ideal para alunos com agenda apertada ou orçamento mais limitado. Desconto de 5% sobre o valor da aula avulsa.
Pacote padrão: 8 aulas/mês (2 por semana). O mais comum. É o ritmo que gera resultado consistente. Desconto de 10%.
Pacote intensivo: 12 aulas/mês (3 por semana). Para alunos com prazo — viagem, entrevista, exame. Desconto de 15%.
Exemplo prático com aula individual de R$ 120:
| Pacote | Aulas/mês | Valor avulso | Desconto | Valor do pacote | Por aula no pacote |
|---|---|---|---|---|---|
| Básico | 4 | R$ 480 | 5% | R$ 456 | R$ 114 |
| Padrão | 8 | R$ 960 | 10% | R$ 864 | R$ 108 |
| Intensivo | 12 | R$ 1.440 | 15% | R$ 1.224 | R$ 102 |
O aluno sente que está economizando. Você garante receita recorrente. Todo mundo ganha.
Defina as regras antes de começar. Sugestão que funciona bem:
Parece rígido? É profissional. Aluno bom entende e respeita. Aluno que reclama dessas regras geralmente é o mesmo que cancela toda semana.
A tabela geral funciona como ponto de partida, mas cada nicho tem dinâmicas próprias de preço.
É o nicho com maior demanda corporativa e um dos que melhor pagam. O aluno típico é profissional que precisa do inglês no dia a dia de trabalho — calls, e-mails, apresentações, negociações.
Faixa de preço 2026: R$ 100 a R$ 280/hora, dependendo do nível hierárquico do aluno e do grau de personalização.
Aulas para gerência e diretoria costumam estar na faixa superior. Se você atende a empresa diretamente (in-company), pode adicionar de 20% a 40% ao valor individual, pois a empresa é quem paga e o ticket percebido é diferente.
O aluno tem prazo e meta clara (nota X no exame Y até a data Z). Isso significa alta disposição a pagar e baixa tolerância a enrolação.
Faixa de preço 2026: R$ 110 a R$ 300/hora.
Professores com histórico comprovado de aprovações cobram na faixa superior com tranquilidade. Monte um portfólio com as notas dos seus alunos (com autorização): é o argumento de venda mais forte nesse nicho.
Quem paga é o pai, e o pai quer ver resultado no boletim ou no comportamento do filho. A dinâmica de vendas é diferente: você precisa convencer o adulto de que seu método funciona para o público infantojuvenil.
Faixa de preço 2026: R$ 60 a R$ 150/hora.
A faixa é ligeiramente mais baixa que a de adultos, mas o volume pode compensar: pais que gostam indicam outros pais. É um nicho de escala por indicação.
Desenvolvedores, designers, PMs — profissionais que precisam participar de reuniões em inglês, ler documentação técnica e se comunicar com equipes internacionais.
Faixa de preço 2026: R$ 100 a R$ 250/hora.
O diferencial aqui é entender o contexto. Se você domina termos de tech, sabe o que é uma sprint review, entende a dinâmica de uma daily — o aluno percebe valor instantâneo e paga sem questionar.
Aluno que já tem base mas precisa destravar a fala. É um público grande e com alta disposição a pagar, porque já investiu anos em inglês e quer finalmente usar de verdade.
Faixa de preço 2026: R$ 80 a R$ 200/hora.
A chave nesse nicho é mostrar progresso rápido. Gravações de antes/depois, métricas de fluência, relatórios de evolução — tudo que prove pro aluno que ele está melhorando.
Se você está cobrando o mesmo valor há mais de 12 meses, está ficando mais barato. A inflação sozinha já come parte da sua margem todo ano. Reajustar não é ganância: é manutenção.
Para alunos novos: atualize seu preço a cada 6 meses com base na tabela de mercado e na sua evolução como profissional. Aluno novo já entra no preço atualizado.
Para alunos antigos: reajuste anual, previsto em contrato, de IPCA + 5% (ou um valor fixo de R$ 10 a R$ 15 por aula). Avise com 60 dias de antecedência. Sempre por escrito.
Quando subir fora do ciclo: quando sua agenda estiver lotada (acima de 85% de ocupação), é sinal claro de que seu preço está baixo. Suba 10% a 15% para novos alunos e veja o que acontece.
Não peça desculpa. Não justifique demais. Uma mensagem simples e direta:
"Oi, [nome]. Conforme previsto, a partir de [mês], o valor da aula será atualizado de R$ X para R$ Y. Esse reajuste reflete a atualização anual do contrato e os investimentos que continuo fazendo na qualidade das aulas. Qualquer dúvida, estou por aqui."
Aluno que sai por R$ 10 a mais por aula não era aluno que ia ficar. Aluno que valoriza seu trabalho entende que profissional bom fica mais caro com o tempo — assim como em qualquer outra profissão.
Erro 1: cobrar igual pra todo mundo. Aluno que faz aula 1 vez por semana e aluno que faz 3 vezes não precisam pagar o mesmo valor por aula. Desconto por volume é ferramenta de retenção, não de desvalorização.
Erro 2: dar aula experimental de 1 hora grátis. Meia hora é suficiente pra mostrar seu método. Uma hora inteira grátis atrai gente que quer aula grátis, não gente que quer contratar um professor.
Erro 3: aceitar pagamento por aula. Aula avulsa sabota sua receita e sua retenção. Pacote mensal com cobrança antecipada é o padrão.
Erro 4: não cobrar por no-show. Se o aluno não avisa e não aparece, a aula foi dada. Seu tempo tem valor. Política de cancelamento clara desde o primeiro dia evita constrangimento depois.
Erro 5: comparar seu preço com escola de idioma. Escola cobra R$ 300 a R$ 700 por mês por 8 horas em turma de 15 alunos. Você entrega aula individual, personalizada, no horário que o aluno escolhe. São produtos completamente diferentes. Compare com outros professores particulares do seu nível, nunca com escola.
Você precisa de três coisas:
Pra cobrar: Pix com QR code fixo ou link de pagamento recorrente. Ferramentas como Asaas, iugu ou Mercado Pago permitem cobrança recorrente sem trabalho mensal.
Pra controlar: Uma planilha simples com nome do aluno, pacote contratado, valor, data de pagamento, aulas dadas e aulas restantes. Se quiser algo mais robusto, o goodclass ajuda a organizar tudo isso em um lugar só.
Pra formalizar: Contrato de prestação de serviço simples (1 a 2 páginas) cobrindo valor, forma de pagamento, política de cancelamento, prazo de vigência e reajuste. Não precisa ser documento jurídico complexo. Precisa existir.
O preço certo não é o mais alto nem o mais baixo. É o que sustenta sua operação, atrai o aluno certo e reflete o valor real do que você entrega. Se você acertar isso, o resto — alunos, retenção, crescimento — fica muito mais fácil.
Este artigo foi escrito pela equipe da goodclass, a plataforma para professores independentes de inglês. Atualizamos este conteúdo quando o mercado muda. Se você é professor e quer contribuir com sua experiência, mande um e-mail.
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